Dra. Sandra Franco

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Sistema ajuda a monitorar crianças nascidas com microcefalia

*Fonte: Saúde Online

Nos últimos dois anos o Brasil tem registrado aumento no número de casos de microcefalia. A partir desta constatação, o Ministério da Saúde criou o Sistema de Registro de Atendimento às Crianças com Microcefalia (Siram), que desde janeiro de 2015 permite ao Sistema Único de Saúde (SUS) mapear e monitorar os atendimentos feitos às crianças com casos suspeitos ou confirmados da doença, com ou sem relação ao vírus zika.

O Ministério da Saúde treina os profissionais e gestores dos Estados e municípios, principalmente das regiões Norte e Nordeste, que serão os responsáveis por preencher as informações sobre o acompanhamento das crianças nos serviços de saúde, bem como por fornecer guias e manuais sobre o funcionamento do sistema. Na Santa Casa de Misericórdia do Pará, hospital referência na atenção à gestante de alto risco e ao recém-nascido, a previsão é que o sistema seja implantado a partir desta segunda quinzena de julho.

Dentro do sistema, os profissionais de saúde terão acesso às consultas e históricos de atendimentos clínicos; dados do responsável da criança; registro de exames; e diagnóstico de microcefalia e triagens neonatais. Para o assessor de Gestão de Risco da Santa Casa, Edilson Calandrini, o sistema é essencial, pois permite acompanhar passo a passo desde o nascimento do bebê e todos os tratamentos feitos. “No início, foram perdidas algumas informações sobre essas crianças com microcefalia. Quando elas chegavam a uma unidade de saúde, não se sabia que tipo de atendimento estavam recebendo e por quais tratamentos já haviam passado”, diz.

O Siram faz parte das estratégias do Ministério da Saúde para qualificação da atenção às crianças com microcefalia e atualmente apoia e incentiva os Estados e municípios a fazerem a busca ativa dos bebês nascidos com suspeita de microcefalia. A medida objetiva acelerar o diagnóstico e o encaminhamento para a descoberta precoce e, eventualmente, para os serviços de reabilitação e atenção especializada, com investimento inicial de R$ 10,9 milhões (R$ 2,2 mil por criança).

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), até maio deste ano foram notificados 35 casos de microcefalia no Pará, e em apenas um foi confirmada a relação com a zika. Os outros casos estão sendo investigados para que haja a confirmação ou descarte da relação com o vírus. Na Santa Casa, desde novembro de 2015 foram identificadas 14 crianças com microcefalia. Todas fizeram sorologia (estudo do líquido separado do sangue após coagulação) para saber da relação com o vírus, além das tomografias que são praxe do hospital. As sorologias que não são feitas na Santa Casa são encaminhadas para o Laboratório Central do Estado (Lacen).

A identificação da microcefalia é feita, primariamente, pela medição do perímetro cefálico, procedimento de rotina recomendado desde o primeiro exame do recém-nascido até os dois primeiros anos de acompanhamentos clínicos da criança. O objetivo e a avaliação do crescimento cerebral. Após o atendimento inicial e a constatação da microcefalia, a Santa Casa encaminha as crianças para a Unidade de Referência Materno-Infantil (Uremia), onde continua o tratamento. O processo permite o acompanhamento assistencial mais adequado às necessidades de cada criança.

Não há tratamento específico para a microcefalia, mas ações de suporte podem interferir positivamente no desenvolvimento das crianças acometidas. O SUS preconiza o acompanhamento por diferentes especialistas dependendo das necessidades e complicações de cada criança.

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